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Estratégia Ágil em tempos acelerados – Insights do Sankhya Web Fórum by FDC

Como preparar as empresas para acompanhar as mudanças cada vez mais aceleradas do mundo dos negócios? Um mundo que não...

Como preparar as empresas para acompanhar as mudanças cada vez mais aceleradas do mundo dos negócios? Um mundo que não para e exige inovação na mesma velocidade, sem perder a essência. 

Temas atuais como inovação, desenvolvimento humano e ética, futuro e liderança, novos formatos de trabalho e estratégias ágeis mobilizaram a atenção de empreendedores, executivos e gestores de empresas de todo o Brasil na 4ª edição do Sankhya Web Fórum by FDC (Fundação Dom Cabral), realizado em dezembro, com mais de 6 mil inscritos.

Para falar dos maiores desafios das empresas e gestores no atual cenário de grandes mudanças e incertezas, o evento contou com um super time de palestrantes, especialistas, pesquisadores e pensadores que inspiram o mercado corporativo com suas abordagens e reflexões sobre conteúdos práticos de gestão de alta qualidade: Alexandre Pellaes, Heitor Coutinho, Maria Flávia Bastos e Clóvis de Barros. 

Confira os principais insights para acompanhar as grandes mudanças do mundo dos negócios, se preparar para as oportunidades e começar 2022 com muito aprendizado. 

A Mudança como elemento do desenvolvimento humano – Alexandre Pellaes

Alexandre Pellaes é pesquisador e especialista em novos modelos de gestão e o futuro do mundo do trabalho. Foi duas vezes palestrante no TEDx São Paulo. Ele abriu o Sankhya Web Fórum convidando para uma reflexão sobre o papel da mudança no desenvolvimento humano, com olhar focado no mundo do trabalho. 

Nesse contexto, destacou que toda mudança causa uma ruptura e, por isso, é preciso entender a necessidade de apagar parte do que aprendemos sobre o mundo do trabalho e até sobre nós mesmos para poder avançar e compreender que passamos, hoje, por três grandes transformações. 

1- O significado do trabalho mudou muito para as pessoas, ao longo da história.

O ser humano já trabalhou apenas para sustento próprio, depois criou sistemas operacionais onde produzia para acúmulo, venda, troca, e agora começa a ter a percepção do valor de interpretação do trabalho, ou seja, se pergunta por que faz o que faz, numa espécie de busca de sentido para o seu trabalho. Uma mudança que mexe com as estruturas das organizações e da sociedade. 

2- O papel da liderança, que migrou da característica de cargo e status para a capacidade de influência, de mentalidade. 

Na prática, a liderança deixou de ser atributo de uma pessoa para se tornar atributo de uma relação, onde é preciso criar conexão com as pessoas e onde a responsabilidade da qualidade da liderança começa a ser compartilhada por todos. 

3- Mudanças mais complexas e lentas na estrutura das organizações, que trazem a necessidade e o desafio de humanizar as relações e a gestão.

É diante desse novo contexto que as empresas começam a flexibilizar, alterando todo o sistema no mundo do trabalho, além da percepção e o papel de cada um nesta relação, lembrando que junto com essa mudança, está o avanço da tecnologia, os desafios na otimização de processos dentro das empresas e organizações que exigem cada vez mais inteligência e ética. 

Alexandre Pellaes destaca ainda toda a turbulência e imposições trazidas pela pandemia, que acelerou várias experiências para as quais o mundo do trabalho não estava efetivamente preparado, mas aconteceram. Do home office à discussão sobre o trabalho híbrido, que ganhou um novo espaço e tantas outras variáveis pedem novas reflexões a partir de agora.

“São muitas mudanças e grande complexidade, em um movimento acelerado de transformação da sociedade. E quando a gente olha esse cenário, é inevitável que gere incerteza, normalmente associada a um conceito negativo. Mas é preciso desconstruir um pouco essa ideia porque, na verdade, incerteza é uma característica essencial da humanidade. É possível encontrar mais positividade na incerteza, porque ela nos provoca a criar conexões mais ricas para gerenciar as mudanças que acontecem no mundo. Em um período de incertezas, não cabe mais cultivar certezas e tentar garantir que o futuro seja do jeito que pensamos.  Na verdade, temos que colocar todo nosso investimento em cultivar valores, que demandam um nível de consciência mais elevado, de visão social de quem eu sou dentro desse contexto. E tudo isso nos provoca a reorganizar a estrutura de trabalho, colocar mais peso sobre a nossa responsabilidade e aprofundar o autoconhecimento”, reforça Pellaes.

Segundo Alexandre, no mundo do trabalho, as pessoas nos enxergam por meio das nossas ações e isso reforça o peso da ética. O trabalho, não só profissional, é a intenção convertida em ação e é essencial que cada um tenha muita clareza do seu papel ético e compromisso, reconhecendo-se como parte dos organismos vivos chamados empresa e sociedade. 

Baixe todos os mapas mentais do evento clicando aqui.

Pellaes destaca ainda que há uma atualização também no papel das empresas e só sobreviverão aquelas que se reconhecerem como plataformas de desenvolvimento humano e de construção de legado para si e para a sociedade. É uma mudança radical no papel de Recursos Humanos dentro das organizações, um grande salto em nível de consciência, de como a gente se enxerga no mundo e do impacto que queremos produzir, finaliza.

Estratégia ágil em tempos de incerteza – Heitor Coutinho

Qual o conceito de Agilidade no mundo corporativo? Trata-se de um dos conceitos mais importantes para essa década, destaca Heitor Coutinho, professor de estratégia e gestão de projetos e de mudanças da Fundação Dom Cabral, com mais de 30 anos de experiência de mercado, com ensino especializado e programas de desenvolvimento.

No mundo dos negócios, agilidade pode ser entendida como a resposta que as organizações têm para um mundo mais dinâmico, altamente imprevisível e cada vez mais complexo. 

Para Heitor Coutinho, a partir da realidade deste mundo tão turbulento, o que muda na gestão das empresas é a lógica competitiva, ou seja, nós temos agora uma nova lógica da competição, com base em cinco fatores:

Competir pela taxa de aprendizagem

As organizações que aprenderem mais, que errarem e aprenderem com seus erros, que aprenderem a aprender mas, fundamentalmente, aprenderem a desaprender, terão uma competitividade superior. Nesse novo mundo, a recuperação de falhas é considerada mais importante do que evitar falhas

Competir em ecossistemas

Mudança muito importante porque as empresas deixam de competir sozinhas no mercado e se juntam para competir por vantagens sustentáveis, ou seja, colaboração entre as empresas e até concorrentes será fundamental para o sucesso das organizações. Hoje, seis entre as sete principais organizações do mundo já competem em ecossistema. A Apple é um exemplo, criou o ecossistema mundial de música digital e orquestra esse ecossistema;

Competir em mundos híbridos

Físico e digital, o que ficou ainda mais claro com a pandemia;  

Competir cada vez mais pela imaginação

Capacidade genuinamente humana que não poderá ser substituída pela inteligência artificial (machine learning). A imaginação está intimamente ligada à inovação contínua, que tem que fazer parte do contexto estratégico de todas as organizações;

Competir pela resiliência

Capacidade de adaptação para enfrentar impactos, crise, recessão. 

E o que significa essa mudança de lógica em termos de gestão para que as organizações sejam mais ágeis no mundo mais dinâmico? Segundo Heitor Coutinho, antes de se tornar mais ágil, uma organização despende 60% de sua energia com a gestão da operação.

Três anos depois de se tornar uma organização ágil, esse percentual cai para 25%, o que significa mais tempo para pensar e gerenciar as estratégias. Isso faz toda a diferença no desempenho de uma empresa. Ele alerta, porém, que agilidade não é velocidade e na prática, significa o melhor prazo, a melhor forma de alcançar resultados no tempo. 

No contexto geral das empresas, agilidade organizacional envolve pensar, deve ser uma mistura delicada entre ação e reflexão para que seja efetiva. 

Heitor Coutinho destaca que para ser ágil, uma organização precisa manter equilíbrio entre dois eixos centrais, ser dinâmica, permitindo que responda prontamente a novos desafios e oportunidades e, por outro lado, ser estável, quando cultiva a confiabilidade e a eficiência, estabelecendo uma espinha dorsal de elementos que não precisam mudar com frequência. 

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Em números atuais, 12% das organizações no mundo são ágeis, o que significa que têm uma enorme vantagem competitiva no mercado. 

Professor Coutinho destaca outro conceito novo e importante, lançado em 2019, no mundo das organizações que é a vitalidade, entendida como a habilidade de sustentar o crescimento e a inovação pela eficácia, o que remete diretamente ao futuro de uma empresa. Embora recente, o índice vitalidade já passou a ser adotado como conceito no ranking das melhores empresas pela revista Forbes.

Para fechar, professor Coutinho reforça que a construção da melhor estratégia ágil de uma organização deve levar em conta pontos do modelo clássico de pensar – que não acabou –  e as novas perspectivas trazidas pelo modelo ágil, buscando a opção mais adequada ao momento e também o equilíbrio dos paradoxos existentes como por exemplo competir x cooperar; controlar x criar; estabilidade x dinamismo; inovação incremental x inovação radical; curto prazo  x longo prazo e exploração das capacidades atuais x exploração das capacidades futuras. 

Aprender, reaprender e desaprender – Maria Flávia Bastos

Estamos realmente atentos ao que acontece a nossa volta e com cada um de nós? Com essa pergunta desafiadora, que pede muita reflexão nos dias de hoje, a professora e escritora Maria Flávia Bastos, mestre em gestão social, abriu sua palestra no Sankhya Web Fórum. 

“É preciso estar atento aos sinais e, acreditem, quando a gente não presta atenção na gente, é impossível prestar atenção nas outras pessoas e no mundo em que vivemos. Nesse processo pandêmico que eu costumo chamar de apocalítico, tivemos que aprender, desaprender e reaprender um monte de coisas, inclusive com experiências muito dolorosas. São tantas metas a cumprir, tantas coisas a fazer, uma média de cinco mil mensagens por dia, muitas informações. É preciso começar a pensar sobre esse estado individualista que vai nos causando um esgotamento psicológico. Porque as pessoas não se dão conta do seu sofrimento e da necessidade de buscar ajuda e entender que isso é parte de um processo humano”, alerta Maria Flávia.

Nesse novo olhar, Maria Flávia destaca também a necessidade de ultrapassar o universo da empatia, de se colocar no lugar do outro, e partir para a compaixão, que é o abraçar os problemas e as dores do outro e tentar encontrar alguma solução.  

“É com compaixão que essa nossa sociedade pode ser salva, por humanidade, afeto, leveza e sonho. A gente fica esperando fazer uma coisa extraordinária, criar uma ideia fantástica, mas às vezes a gente precisa apenas resgatar as coisas boas, com um novo olhar, juntar velho e novo e construir opções que sejam mais humanas e leves, utilizando as novas tecnologias que estão chegando, mas acreditando que nada substitui o humano”, enfatiza. 

Para a escritora, por mais tecnologia que haja nesse mundo, nós ainda seremos movidos por histórias de vida porque somos humanos e é isso que não podemos esquecer. Ela lembra que no mundo organizacional, a gente aprende a importância de ser líder de nós mesmos, de cuidar do autoconhecimento, da inteligência emocional, da vida.

Depois, a gente aprende a liderar nossa equipe e motivar. Hoje, é preciso principalmente ser líder do mundo que a gente vive, onde depois desse período tão desafiador, as palavras chaves são adaptabilidade e flexibilidade.

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“A gente precisa começar a pensar que no processo de desaprender para reaprender é necessário ceder, porque quem não cede e não escuta o outro não vai aprender com as diferenças e não consegue criar processos de inovação. Muitas vezes as próprias empresas inovam em seus produtos e serviços, mas querem que as pessoas sejam iguais. Mas, quando tenho um ambiente homogêneo, torna-se impossível o processo de reaprender e de inovar com qualidade. Precisamos de pessoas de verdade, que façam microrrevoluções ou subam degrau por degrau cooperando para gerar impacto. Talvez tenhamos agora a oportunidade mágica de se reencontrar no meio desse caos para repensar o nosso legado. Talvez seja esse o tempo de acolher e ser acolhido, a compaixão que falamos”, finaliza Maria Flávia Bastos. 

Mudança, liberdade e iniciativa – Clóvis de Barros

O fechamento da 4ª edição do Sankhya Web Fórum ficou a cargo de um dos maiores e mais requisitados palestrantes do Brasil, o filósofo e escritor Clóvis de Barros Filho, autor de mais de 15 obras e professor na USP e ESPM.

Sempre muito provocativo, Clóvis de Barros, abriu a palestra lembrando que no mundo da matéria não há permanência, nem sequer a possibilidade dela. Nada permanece igual de um instante para outro e qualquer ideia de que algo está parado, tranquilo é um profundo equívoco porque as mudanças acontecem a todo momento.

Clóvis de Barros chamou a atenção para as mudanças que são promovidas, desencadeadas e escolhidas pelo homem. Afinal, o homem age sobre o mundo porque escolhe, toma decisões, delibera, decide, faz acontecer e transforma o mundo pelo mero fato de existir, o que já é transformador. 

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Ele ressalta que as mudanças promovidas pelo homem fazem surgir novos problemas e desafios, cada vez mais inéditos e surpreendentes, o que gera uma necessidade permanente de capacitação. Destaca que a velocidade das questões a resolver é única na história da humanidade e o que se aprende hoje pode ficar obsoleto em dois tempos, o que o professor atribui à condição contemporânea do homem.

“Só nos resta humildade de entender as nossas limitações para, diante do ineditismo dos encontros com o mundo, termos mais chances de resolução de problemas com eficiência”, alerta o professor. 

Nesse contexto, Clóvis de Barros chama a atenção para a Inovação, que poderia ser usada para identificar aquelas mudanças decididas e escolhidas pelo homem. E lembra que uma inovação só é boa quando está a serviço da vida e da liberdade, quando respeita a condição natural do homem em sua autonomia e soberania, permitindo a sua autenticidade, ou seja, a correspondência entre o que sentimos/pensamos e o que falamos/apresentamos.

“Cada um de nós tem sua natureza e poderá ou não explorá-la ao longo da vida. O meu pai dizia que ninguém pode viver uma vida feliz se virar as costas para si mesmo, virar as costas para sua natureza. É preciso explorar aquilo que você tem de melhor. E a inovação só terá valor positivo quando ela permitir à natureza de cada um alcançar a sua máxima pujança”, destaca Clóvis de Barros.

Ao final da palestra, professor Clóvis reforça que não basta viver de acordo com nossa natureza, é preciso dar o melhor de si, habitualmente, o que os gregos chamavam de excelência, areté em grego.

“A inovação tem que estar a serviço da liberdade, autenticidade, natureza, excelência e plenitude da alma. E, por fim, nos convida a uma reflexão a respeito do que considera o mais nobre e humano de todos os valores, o de servir e estar a serviço do outro. Um valor tão essencial nesses tempos de pandemia, quando tantas pessoas sofreram perdas, onde muitas pessoas estão devastadas e precisam de uma palavra de conforto, de alguém que lhes estenda a mão. A inovação a serviço de alguém permite salvar vidas, permite diminuir a angústia, ansiedade e a dor”, finaliza Clóvis de Barros.

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Redatora Sankhya

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